Propaganda e interdisciplinaridade : Parte 6 Anexo 2 Arte

Propaganda e interdisciplinaridade : Parte 6 Anexo 1
26/08/2014
Propaganda e interdisciplinaridade : Parte 6 Anexo 3 Ciência
26/08/2014

ARTE – CONCEITUAÇÃO
ABBAGNANO, Nicole. Dicionário de Filosofia. SP: Mestre Jou, 1982. 980 p.

ARTE

(latin Ars, ingl. Art; franc. Art; al. Kunst).
No seu significado mais geral, todo conjunto de regras capazes de dirigir uma atividade humana qualquer. Nesse sentido falava da A. Platão que por isso não estabeleceu uma distinção entre A. e ciência. A. para Platão é a do raciocínio (Fed., 90 b) como a própria filosofia no seu grau mais alto, isto é, a dialética (Fedro, 266 d); arte é a poesia, embora a esta seja indispensável uma inspiração delirante (lbid., 245 a); A. são a política e a guerra (Prot., 322 a); A. é a medicina e A. são respeito e justiça sem os quais os homens não podem viver juntos nas cidades (lbid., 322 e, d).

O domínio global do conhecimento é dividido em duas A., a judicativa e a dispositiva ou imperativa das quais a primeira consiste simplesmente no conhecer, a segunda no dirigir, com base no conhecimento, uma determinada atividade (Pol., 260 a, b, 292 C). Desse modo, a A. compreende para Platão todas as atividades humanas ordenadas (inclusive a ciência) e se distingue, no seu complexo, da natureza (Rep., 381 a).

Aristóteles restringiu notavelmente o conceito da arte. Em primeiro lugar ele subtrai ao âmbito da A. a esfera da ciência, que é a do necessário, isto é, do que não pode ser diferente do que é. Em segundo lugar ele divide o que cai fora da ciência, isto é, o possível (que “pode ser de um modo ou de outro”) no que pertence à ação e no que pertence à produção. Somente o possível, objeto de produção, é objeto da arte. Nesse sentido, diz-se que a arquitetura é uma A.; e a A. se define como o hábito, acompanhado da razão, de produzir alguma coisa (Et. Nic., VI, 3-4). O âmbito da A. vem assim a restringir-se muito. São A. a retórica e a poética, mas não é A. a analítica ou lógica cujo objeto é necessário. São A. as manuais ou mecânicas, como é A. a medicina; ao passo que não é A. a física ou a matemática. Esse é, pelo menos, o ponto de vista do Aristóteles maduro; já que as páginas com que se abre a Metafísica parecem estabelecer uma distinção puramente de grau entre a A. ou a ciência, colocando a A. como intermediária entre a experiência e a ciência.

Mesmo aquelas páginas concluem, porém, com a afirmação de que a sabedoria é antes conhecimento teorético do que A. produtiva (Met., I, 1, 982 a 1 e segs.). Essa distinção aristotélica não foi, porém, herdada no seu rigor pelo mundo antigo e medieval. Os Estóicos estenderam de novo a noção de A., afirmando que “a A. é um conjunto de compreensões, entendendo por compreensão o assentimento ou uma representação compreensiva (SEXTO E., Hip. Pirr., III, 241 , Adv. dogm., V, 182) ; essa definição não permite, com efeito, distinguir a A. da ciência. E Plotino, que, por sua vez, faz tal distinção,porque quer conservar para a ciência o caráter contemplativo, distingue as A. de acordo com a sua relação com a natureza.

Distingue, portanto, a arquitetura e as A. análogas, que têm o seu termo na fabricação de um objeto, das A. que se limitam a ajudar a natureza, como a medicina e a agricultura e das A. práticas, como a retórica C., a música, que tendem a agir sobre os homens, tornando-os melhores ou piores (Enn., IV, 4, 31 ). A partir do séc. 1 chamaram-se “A. liberais” (isto é, dignas do homem livre) em contraste com as A. manuais, nove disciplinas, algumas das quais Aristóteles teria chamado ciências e não artes. Essas disciplinas foram enumeradas por Varrão: gramática, retórica, lógica, aritmética, geometria, astronomia, musica, arquitetura e medicina. Mais tarde, no séc. V, Marciano Capela nas Núpcias de Mercúrio e da Filologia reduzia a sete as A. liberais (gramática, retórica, lógica, aritmética, geometria, astronomia e música), eliminando as que lhe pareciam não necessárias a um ser puramente espiritual (que não tem corpo), isto é, a arquitetura e a medicina, e estabelecendo assim o curriculum de estudos que deveria permanecer inalterado por muitos séculos (V. CULTURA).

S. Tomás estabelecia a distinção entre A. liberais e A. servis com o fundamento de que as primeiras se dirigem ao trabalho da razão, as segundas “aos trabalhos exercidos com o corpo, que são de certo modo servis, enquanto o corpo está submetido servilmente à alma e o homem é livre segundo a alma” (S.Th., II, 1, q. 57, a. 3. ad 3).

A palavra A. permaneceu, contudo. para designar por longo tempo não só as A. liberais mas também as A. mecânicas, isto é, os ofícios, como ocorre ainda hoje que entendamos por A. ou artífice um ofício ou quem o pratica.

Kant resumiu as características tradicionais do conceito ao distinguir a A. da natureza de um lado, e da ciência do outro; e distinguiu, na própria A., a A. mecânica e a A. estética. Sobre esse último ponto, diz: “Quando a A., conforme o conhecimento de um objeto possível, cumpre somente as operações necessárias para realizá-lo, ela é A. mecânica; se, porém, tem por fim imediato o sentimento do prazer, é A. estética. Essa é A. agradável ou A. bela. É agradável quando a sua finalidade é fazer com que o prazer se acompanhe das representações enquanto simples sensações; é bela quando o seu fim é de unir o, prazer às representações como formas de conhecimento” (Crít. do Juízo, § 44). Em outros termos, a A. bela é uma espécie de representação que tem o fim em si mesma e dá portanto prazer desinteressado, ao passo que as A. agradáveis visam somente o gozo.

Embora ainda hoje a palavra A. designe todo tipo de atividade ordenada, o uso culto tende a privilegiar o seu significado de A. bela. Nós dispomos, de fato, de uma palavra para indicar o processo ordenado (isto é, segundo regras) de qualquer atividade humana: a palavra técnica.

A técnica no seu significado mais amplo designa todos os processos normativos que regulam os comportamentos em todos os campos. Técnica é por isso a palavra que continua o significado primeiro (isto é, platônico) do termo arte. Por outro lado, os problemas relativos às belas A. e a seu objeto específico caem hoje no domínio da estética (v.).

FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Aurélio século XXI: o dicionário da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Nova fronteira, 1999. 2128 p.

ARTE

arte1 [do lat. arte.] S.f. 
1. Capacidade que tem o ser humano de pôr em prática uma idéia, valendo-se da faculdade de dominar a matéria: A arte de usar o fogo surgiu nos primórdios da civilização.
2. A utilização de tal capacidade, com vistas a um resultado que pode ser obtido por meios diferentes: a arte da medicina; a arte da caça; a arte militar; a arte de cozinhar; Liceu de Artes e Ofícios.
3. Atividade que supõe a criação de sensações ou de estados de espírito de caráter estético, carregados de vivência pessoal e profunda, podendo suscitar em outrem o desejo de prolongamento ou renovação: uma obra de arte; as artes visuais; arte religiosa; arte popular; a arte da poesia; a arte musical. 4. A capacidade criadora do artista de expressar ou transmitir tais sensações ou sentimentos: A arte do Aleijadinho é considerada a maior manifestação do barroco brasileiro.
5. Restr. As artes plásticas: crítica de arte; mercado de arte; uma história da arte.
6. O conjunto das obras de arte de uma época, de um país, de uma escola: a arte pré-histórica; a arte moderna; a arte italiana; a arte impressionista.
7. Os preceitos necessários à execução de qualquer arte: a arte da marinharia; a arte de falar corretamente uma língua.
8. Livro, tratado ou obra que contém tais preceitos: a Arte Poética de Boileau; a Arte da Fuga de Bach.
9. Capacidade natural ou adquirida de pôr em prática os meios necessários para obter um resultado: a arte de viver; a arte de calar; a arte de ganhar dinheiro; escrever sem arte.

  1. Dom, habilidade, jeito: Tem a arte de comunicar-se; Esse cachorrinho tem a arte de me irritar.
  2. Ofício, profissão (nas artes manuais, especialmente): Naquela família a arte de entalhador é uma

tradição.

  1. Artifício, artimanha, engenho: Não sei que artes usou para convencê-la.
  2. Maneira, modo, meio, forma: De tal arte envolveu o chefe que logo se tornou seu secretário; “A podenga negra, essa sumiu-se por tal arte, que ninguém no castelo lhe tornou a pôr a vista em cima.” (Alexandre Herculano, Lendas e Narrativas, II, pp. 14-15).
  1. Edit. Jorn. Editoria de arte (q. v.).
  2. Prop. V. arte de propaganda.
  3. Bras. Traquinada, travessura. ~V. artes.

Arte abstrata.
1. Abstracionismo (2).

Arte cibernética. Art. Plást.
1. Qualquer manifestação artística do séc. XX que utiliza as tecnologias modernas, como informática, xerox, holografia, fax, transmissões via satélite, etc.

Arte cinética. Art. Plást.
1. Forma de arte que rompe com a imobilidade da pintura e da escultura tradicionais; as obras, em três dimensões, têm partes móveis animadas por motor, pelo movimento do ar ou por impulsão manual. [Cf. móbile.]

Arte conceitual. Art. Plást.
1. Corrente artística surgida na década de 1960, que privilegia o conceito, a idéia (por oposição ao objeto em si) e que não se prende especificamente nem à pintura nem à escultura; o artista recorre a associações que convidam à reflexão.

Arte concreta.
1. Concretismo (2).

Arte culinária.
1. Arte de preparar alimentos segundo normas gastronômicas ou dietéticas.

Arte da gramática. E. Ling. Ant.

  1. Na educação latina medieval, uma das disciplinas humanísticas que compunham o trívio (2).
  2. P. ext. A descrição gramatical de uma língua.

Arte de propaganda. Prop.

  1. Conjunto de atividades relacionadas com a apresentação gráfico-visual de anúncios.
  2. Especialização dos artistas (leiautistas, ilustradores, fotógrafos) que trabalham na preparação de um anúncio. [Sin.: arte publicitária. Tb. se diz apenas arte.]

Arte de vanguarda.
1. A que apresenta características inovadoras na forma e no conteúdo, opondo-se geralmente aos padrões aceitos pelo consenso geral.

Arte do livro.
1. Parte das artes gráficas que, compreendendo a judiciosa escolha de papéis e tintas, a tipografia, a ilustração e a encadernação, tem por fim a harmoniosa integração, no livro, de sua dupla função de objeto de estudo e de objeto de arte.

Arte do marinheiro. Marinh.
1. Arte de fazer costuras em cabos e lonas, de dar nós e voltas em cabos, e de executar outros trabalhos artesanais próprios do marinheiro de convés.

Arte dramática.
1. V. teatro: “O país onde primeiro apareceu a arte dramática moderna foi a Inglaterra” (Alexandre Herculano, Opúsculos, IX, p. 75).

Arte informal. Art. Plást.
1. Designação comum às tendências abstratas que se manifestaram depois da II Guerra Mundial, cujas características são a espontaneidade, o uso expressivo da matéria pictórica e de materiais heterogêneos, o equilíbrio da composição. [Cf. abstracionismo (2).]

Arte mágica.

  1. Magia, feitiçaria.
  2. V. prestidigitação.

Arte marcial.
1. Repertório mais ou menos sistematizado de técnicas, movimentos e exercícios corporais para defesa e ataque, com emprego de armas ou sem ele.[A maioria das técnicas assim denominadas é de origem oriental.]

Arte moderna.
1. V. modernismo (4 e 6).

Arte naval. Mar.
1. Estudo do navio, sua estrutura, equipamento, conservação, e das manobras que com ele se fazem e fainas que nele se realizam. [Cf. marinharia (2).]

Arte plumária.
1. A arte indígena de trabalhar plumas coloridas: “Só é legítimo falar em arte plumária, quando o valor estético das penas é superado por um esforço de imaginação, sensibilidade e virtuosismo, que permite construir com elas obras que valham por si próprias.” (Darci Ribeiro e Berta G. Ribeiro, Arte Plumária dos Índios Caapor, p. 13.) [Tb. se diz apenas plumária.]

Arte publicitária. Prop.
1. V. arte de propaganda.

Arte rupestre.
1. Os desenhos, pinturas, etc., feitos nas cavernas pelos homens pré-históricos; inscrição rupestre.

Artes aplicadas.
1. As que se ocupam das qualidades de beleza, elegância, etc., de qualquer objeto de produção artesanal ou industrial.

Artes de reprodução.
1. O conjunto das artes gráficas que se realizam em duas fases distintas: a da criação de uma fôrma e a da multiplicação, por impressão, do trabalho nela executado, assim compreendidas a gravura, a tipografia e a fotogravura (1).

Artes do espetáculo.
1. Designação comum às artes que envolvem o espetáculo, e das quais o teatro e o cinema são as principais.

Artes gráficas.
1. Conjunto de processos e atividades us. para obter a reprodução, em qualquer número de cópias, de imagens e de escritos, mediante fôrma, chapa gravada ou matriz.
2. Restr. Conjunto das atividades que compõem o processo industrial de produção gráfica.

Artes liberais.
1. Na Idade Média, designação comum às matérias de instrução e ensino ministradas sob a égide da teologia e que se dividiam em trívio (2) e quadrívio (2).

Artes mecânicas.
1. As que se baseiam no trabalho manual, especialmente com a utilização de ferramentas ou máquinas.

Artes menores.
1. Ramo da arte (3) que se ocupa da feitura de objetos em que o fator estético se alia à utilidade prática: A cerâmica, a encadernação, o bordado são artes menores. [Cf. artes-menores, pl. de arte-menor.]

Artes plásticas.
1. As que se manifestam por meio de elementos visuais e táteis, como linhas, cores, volumes, etc., reproduzindo formas da natureza ou realizando formas imaginárias; belas-artes; arte. [Compreendem o desenho, a pintura, a gravura, a colagem, a escultura, etc.]
A sétima arte.
1. O cinema: “O cinema falado impediu o cinema mudo de completar sua trajetória. Quando a sétima arte começava a produzir os seus clássicos — ou seja, a aproveitar toda a sua experiência como expressão — surgiu o talkie, e foi preciso recomeçar tudo” (Mário da Silva Brito, Diário Intemporal, p. 111).

Fazer arte de.

1. Agir de modo provocante, com determinado intuito: Estás fazendo arte de me irritar.

Por artes de berliques e berloques.
1. Por artes mágicas; inexplicavelmente; milagrosamente.

Por artes do diabo.
1. Por desgraça, por infelicidade.

arte2
S. f.
1. V. arte-final
1. Prop. Setor de uma agência de propaganda, ou de um anunciante direto, responsável pela execução de rafes (v. rafe1), leiautes, ilustrações, artes-finais, etc.

 

JAPIASSÚ, Hilton, MARCONDES, Danilo. Dicionário Básico de Filosofia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1990. 265 p.

ARTE (Lat ars: talento, saber fazer)
1. Enquanto sinônimo de técnica, conjunto de procedimentos visando um certo resultado

prático. Nesse sentido, fala-se de artesão. Opõe-se à ciência, conhecimento independente das aplicações práticas, e à natureza concebida como princípio interno: “A natureza é princípio da coisa mesma; a arte é princípio em outra coisa” (Aristóteles). 2. Atividade cultural que, tanto no domínio religioso quanto no profano, produz coisas reconhecidas como belas por um grupo ou por uma sociedade. A arte recorre sempre a uma técnica. Seu fim é o de elaborar uma certa estruração do mundo, mas criando o belo. 3. Artes liberais: conjunto das “artes” que, na Idade Média, compunham o curso completo dos estudos dado nas universidades conduzindo ao domínio das artes e compreendendo o *trivium (gramática, retórica, dialética ou lógica) e o *quadrivium (aritmética, música, geometria e astronomia). 4. Hegel define a arte como “o meio entre a insuficiente existência objetiva e a representação puramente interior: ela nos fornece os objetos mesmos, mas tirados do interior (…) limita nosso interesse à abstrata aparência que ela apresenta a um olhar puramente contemplativo”.

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