Propaganda e interdisciplinaridade : Parte 6 Anexo 4 Técnica

Propaganda e interdisciplinaridade : Parte 6 Anexo 3 Ciência
26/08/2014
Propaganda e interdisciplinaridade : Parte 6 Anexo 5 Referências Bibliográficas
26/08/2014

TÉCNICA – CONCEITUAÇÃO
ABBAGNANO, Nicole. Dicionário de Filosofia. SP: Mestre Jou, 1982. 980 p.

TÉCNICA

(ingl. Technic; franc. Technique, al. Technik).
O sentido geral do termo coincide com o sentido geral de arte (v.): compreende todo conjunto de regras aptas a dirigir eficazmente uma atividade qualquer. A T. nesse sentido não se distingue nem da arte nem da ciência nem de qualquer processo ou operação aptos a conseguir um efeito qualquer: e o seu campo estende-se tanto quanto o das atividades humanas. É preciso, porém, chamar a atenção ao fato de que a esse significado do termo, que é bastante antigo e geral, faz exceção o significado a ele atribuído por Kant: que falou de uma técnica da natureza para indicar a causalidade dela (Crít. do juízo, § 72); mas negou que a filosofia, e especialmente a filosofia prática, possua uma técnica porque ela não pode contar com uma causalidade necessária (Mel. der Silten, Intr., § 11). O pressuposto deste significado é, porém, a redução da T. a processo causal, enquanto por T. entenderam (e é melhor entender) um processo qualquer, regulado por normas e munido de uma certa eficiência. Nessa esfera de significado generalíssimo entram, porém, os processos mais dispares que podemos ainda dividir, grosso modo, em dois campos diferentes: A) o das,T. racionais que são relativamente independentes de sistemas particulares de crenças, por isso podem levar a modificar estes sistemas e são elas mesmas autocorrigíveis; B) o das T. mágicas e religiosas que podem ser consideradas somente em função de sistemas particulares de crenças e, por isso, não podem conseguir modificá-los, e se apresentam elas mesmas não corrigíveis ou imodificáveis. Estas T. constituem um dos dois elementos fundamentais de toda religião e podem ser indicadas corri o nome genérico de ritos (v.). As T. racionais podem ser por sua vez distinguidas em: 1.” T. simbólicas (cognitivas ou estéticas) que são as da ciência e das belas artes; 2.’ T. de comportamento, isto é, morais, políticas, econômicas etc.; 3.9 T. de produção. 1’9 As T. cognitivas e artísticas podem ser chamadas T. simbólicas porque constam essencialmente do uso dos sinais. Elas distinguem-se dos métodos (v.) que são, estritamente falando, indicações gerais sobre o caráter das T. que se devem seguir. As T. simbólicas podem ser T. de explicação, T. de previsão, ou T. de comunicações: mas estas distinções não são mutuamente exclusivas. 2.9 As T. de comportamento do homem em relação a outro homem cobrem um campo extensíssimo que compreende zonas diversas: vão das T. eróticas às da propaganda, das T. econômicas às morais, das T. jurídicas às educacionais etc. 3.’ O terceiro grupo de T. é o que diz respeito ao comportamento do homem em relação à natureza, e que é dirigido à produção dos bens. A T. nesse sentido sempre acompanhou a vida do homem sobre esta teria, sendo o homem, como já relevava Platão (,Prol., 321 c), o animal que a natureza deixou mais desprovido e inerme em toda a criação. Um certo grau de desenvolvimento da T é portanto indispensável à sobrevivência de qualquer grupo humano; e a sobrevivência e o bem-estar de grupos humanos sempre maiores são dependentes do desenvolvimento dos meios técnicos. Entre os filósofos, Francisco Bacon foi o primeiro a reconhecer, no começo do séc. XVII, esta verdade. Bacon considerou a ciência inteira como operante em vista do bem-estar do homem e dirigida para produzir, em última análise, descobertas que facilitassem a vida do homem sobre a terra. Quando na Nova Atlântida quis dar a imagem duma cidade ideal, não se pôs a sonhar formas perfeitas de vida social ou política, mas imaginou um paraíso da T. onde fossem levados * tt:rmo as invenções e as descobertas de todo * mundo. O sansimonismo (v.) e o positivismo (v.) do séc. XIX partilharam da exaltação baco- niana da técnica. Só depois do fim do século passado e nas primeiras décadas do nosso século, comecou a manifestar-se o que hoje se chama o problema da T.: isto é, o problema que nasce das conseqüências que o desenvolvimento da T. do mundo moderno traz à vida individual e asso- ciada do homem. O contraste entre o homem e a T. foi antes da segunda guerra mundial, o tema preferido da literatura profetizadora. Os profetas da decadência e da morte da civilização do Ocidente (por ex., 0. SPF-NCLF-R, Der Mensch und die Technik, 1931), os defensores da espiri- tualidade pura (por ex., D. Rops, Le inonde sans áme. 1932) haviam já indicado na máquina a causa direta ou indireta da decadência espiritual do homem. O mundo em que domina a máquina é, segundo estas considerações, um mundo sem alma, nivelador, mortificante: um mundo no qual a quantidade tomou o lugar da qualidade e no qual o culto dos valores do espírito foi substituído pelo culto dos valores instrumentais e utilitários. Depois do fim da Segunda Guerra Mundial estas acusações foram confirmadas e desenvolvidas. Elas estão presentes em toda a obra de Albert Camus (v., por ex., Ni bourreaux ni viclimes, 1946). Outros viram o mal do maquinismo no “desarraigamento” que ele produz no homem (S. WEIL, L’Enraciy7ement, 1948). Outros mais en- volvem, na condenação da T., a “razão” que seria oseu Princípio ou esperam para a utopia de um-retorno à produção artezanal (M. DF, CORTE, Essai sur Ia fin d’une ci-pilisalion, 1949; L. DuPLEssy, La machine ou 1’homme, 1949). Não há dúvida de que estas acusações ou denún- cias põem a nu um problema efetivo, que é o da acomodação do homem ao novo ambiente natural e humano produzido pela técnica. Os males da T. não são inventados pelo espiritualismo profetizador, embora pareçam ditos com o pro- pósíto de justificar as suas diatribes. Mas é claro que, assim como o progresso da T. não pode ser detido pelos chamados “valores do espí- rito”, entre os quais deveria constar pelo menos a exigência de providenciar a sobrevivência e o bem-estar de grupos sempre maiores da humani- dade (exigência a que a T. Tesponde), assim não bastam as discussões para eliminar os males da técnica. A única via que leva à solução do pro- blema da T. é a que, por um lado, promove até o fim a realização da própria T. levando a superar, rapidamente ou com menor prejuízo possível, as desvantagens do seu início; e por outro promove a criação e o desenvolvimento de novas T. de comportamento inter-humano, que podem controlar e corrigir os efeitos maléficos das T. produzidos sobre o homem. E a única esperança razoável que esta via será tomada e percorrida funda-se no fato de que o próprio desenvolvimento da T. produtora ficaria, num ponto bastante próximo, impossível, pela monotonia que ela produz e que sufocaria ao nascer aquelas capacidades de ini- ciativa e de talento produtor que o próprio de6en- volvimento da T. exige (v. ABBAGNANO, Filosofia, religiosa, seienza, 1947, cap. Vll; FRIEDMANN, Oà va le Ira-pail humaine?, 1950, trad. ital., 1955).

TECNICISMO (ingl. Technicism; al. Tech- nizismus). 1. O mesmo que técnica. Kant usa o termo para indicar a técnica da natureza isto é o mecanismo (Crít. do Luzo, § 78). 2. O uso de palavras ou sentenças perten- centes a urna linguagem técnica ou uma palavra ou sentença pertencente a esta linguagem.

TECNOCRACIA (Ingl. Technocrac@; franc. Technocralie; al. Technokralie). O governo da sociedade inteira por parte dos técnicos, enten- dendo-se com esta palavra os técnicos da produ- ção. É o ideal de Saint Simon e de Comte reto- mado por alguns teóricos americanos contempo- râneos (V. J. BURNHAM. The ma’nagerial Re-po- lulion, 1941 ; trad. ital. 1947).

TECNOLOGIA (ingi. Technolog_v; franc. Technologie; al. Technologic). 1. O estudo dos processos técnicos de um determinado ramo da produção industrial ou de mais ramos. 2. O mesmo que técnica.

 

FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Aurélio século XXI: o dicionário da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Nova fronteira, 1999. 2128 p.

TÉCNICA

[F. subst. do adj. técnico.]
S. f.
1. A parte material ou o conjunto de processos de uma arte: técnica cirúrgica; técnica jurídica.
2. Maneira, jeito ou habilidade especial de executar ou fazer algo: Este aluno tem uma técnica muito sua de estudar.
3. Prática (4).

[Cf. tecnologia.]

Técnica das exposições múltiplas. Astr. 1. Exposições múltiplas.

 

JAPIASSÚ, Hilton, MARCONDES, Danilo. Dicionário Básico de Filosofia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1990. 265 p.

TÉCNICA

(do lat. technicus, do gr. technikós)
1. Conjunto de regras práticas ou procedimentos adotados em um ofício de modo a se obter os

resultados visados. Habilidade prática. Recursos utilizados no desempenho de uma atividade prática. Ex.: a técnica de pesca com anzol, a técnica da preparação do solo para o plantio.

2. Em um sentido derivado sobretudo da ciência moderna, aplicação prática do conhecimento científico teórico a um campo específico da atividade humana. Ciência aplicada. Ex.: o desenvolvimento da física, sobretudo da mecânica, no período moderno, possibilita como aplicação desse conhecimento a técnica da construção da máquina a vapor e de uma série de outros mecanismos, motores, etc.

Na concepção clássica, na Grécia antiga, entretanto, não havia interação entre ciência e técnica.

A ciência como teoria era considerada um conhecimento puro, contemplativo, da natureza do real, de sua essência, sem fins práticos.

A técnica por sua vez era um conhecimento prático, aplicado, visando apenas um objetivo específico, sem relação com a teoria.

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